Deputada alemã: Não à garantia financeira para construção da usina nuclear de Angra 3

Ute Koczy visita Angra 2; Foto: René Wildangel

August 25, 2010
Deputada federal do Partido Verde alemão iniciou uma série de encontros com os responsáveis pelo programa nuclear brasileiro, bem como com os afetados pela indústria atômica no país. Viagem de uma semana é organizada pela Fundação Heinrich Böll no Brasil.
A energia nuclear é altamente perigosa, prejudica o meio ambiente, é absurdamente cara e dificulta alternativas seguras de energias renováveis. Portanto, o governo alemão não deve conceder garantia de crédito “Hermes” para ajudar a construir a nova usina nuclear em Angra dos Reis (RJ). Este foi o recado da deputada federal alemã Ute Koczy aos representantes dos governos do Estado do Rio de Janeiro e federal e de empresas estatais brasileiras. Reuniões com o representantes do governo do Rio e com a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), além de uma visita oficial à Usina Nuclear de Angra 2, foram os destaques da primeira fase da viagem da deputada alemã ao Brasil. A porta-voz do Partido Verde alemão para as questões ligadas à política de desenvolvimento da Alemanha chegou ao Brasil em 22 de agosto. O motivo da viagem é informar-se sobre a política nuclear do país, com ênfase nos efeitos sócio-ambientais.

Com a Secretária de Meio Ambiente do Estado do Rio de Janeiro, Marilene Ramos, a deputada Koczy buscou saber detalhes sobre o licenciamento das usinas nucleares e se as demandas dos órgãos de controle ambiental (estadual e federal) estavam sendo atendidas. Foram discutidos aspectos como o de um eventual acidente nas instalações de Angra dos Reis e qual seria a participação do governo do Estado na evacuação da região.

Com o Diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da CNEN, Marcos Nogueira Martins, Ute Koczy solicitou informações sobre o processo de controle e fiscalização das usinas nucleares. A deputada relatou os sérios problemas que a Alemanha vem enfrentando atualmente por não ter uma solução adequada para armazenar o lixo radioativo produzido pelos reatores. A deputada ressaltou que, no mundo inteiro, ainda não foi encontrada destinação completamente segura para esse material altamente perigoso. Martins informou como o lixo radioativo brasileiro tem sido estocado provisoriamente e apresentou os planos do governo federal para a construção de um depósito definitivo apenas até 2026.

Ainda no primeiro dia de sua visita, a parlamentar alemã reuniu-se com ambientalistas de Angra dos Reis. Os integrantes da ONG Sociedade Angrense de Proteção Ecológica (SAPE) fizeram um relato de sua história de luta contra as usinas nucleares e apresentaram seus questionamentos quanto à segurança das instalações e quanto à precariedade dos planos de evacuação no caso de alguma emergência.

Na apresentação que deu início à visita da deputada à usina na terça-feira, Leonam dos Santos Guimarães, assistente do diretor-presidente da Eletronuclear, deixou claro que não estava recebendo uma correligionária, mas uma representante de um partido “ideologicamente adversário à questão nuclear”. Ute Koczy, em sua réplica, salientou que vinha com a preocupação do atual governo alemão que está em vias de conceder uma garantia de crédito de até 2,5 bilhões de euros para a empresa Siemens-Areva, parceira na construção de Angra 3. “Já tinha sido abolida a concessão de tais garantias – pagas com dinheiro do contribuinte alemão – para quaisquer empreendimentos de energia nuclear. O nosso governo alemão voltou atrás, contra a corrente da história que vai no sentido de não seguir o caminho da energia nuclear”, disse Koczy.

Depois de encontros com os ministérios de Minas e Energia e do Meio Ambiente, em Brasília, Ute Koczy seguirá hoje (dia 26) para Caetité (no interior da Bahia), local onde está localizada a mina de urânio, onde deve se encontrar com pessoas da região, afetadas pela mineração, e políticos estaduais e locais. O governo brasileiro negou à deputada alemã uma visita à mina.

Para entrevistas com a deputada federal alemã Ute Koczy ou com os representantes da Fundação Heinrich Böll, favor entrar em contat com Sabrina Petry, assessora de comunicação da Fundação, através do telefone (21) 32219929 ou por email (sabrinapetry@boell.org.br).