Construindo a soberania energética e alimentar
APRESENTAÇÃO
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Como via construtiva de resistência e enfrentamento deste modelo, três exemplos de produção descentralizada de combustíveis, a partir da biomassa, consorciada e destinada ao fortalecimento da produção de alimentos na agricultura familiar, são apresentados aqui, em seguimento a uma reflexão sobre os conceitos e os desafios para a construção da soberania dos povos sobre os territórios, num contexto global de apropriação e commoditização da natureza agravado pela febre dos agrocombustíveis. Todos estes exemplos, protagonizados pelos movimentos de pequenos agricultores e trabalhadores rurais no Rio Grande do Sul, e concretizados pelas cooperativas COOPERCANA, CRERAL e COOPERBIO, apontam caminhos, desafios concretos e as contradições enfrentadas na construção da soberania alimentar e energética. Ainda que viabilizados a partir de realidades bem particulares, em termos de localização geográfica, histórico de ocupação territorial, estrutura fundiária, surgimento e organização dos movimentos sociais, mostram que a produção, assim como a gestão e decisão sobre as políticas de energia, podem e devem ser integradas na construção da sustentabilidade e da soberania dos atores locais. O papel das energias renováveis neste contexto é o de alimentar os processos de localização das economias, servindo de combustível que as revigore e reproduza, e contrapondo-se assim à expansão do mercado global dos agrocombustíveis. E este caminho exige políticas específicas, como as que já estão sendo propostas pelo campesinato.